Fairmount
A Ciclista Urbana, com sua bike estilosa.
Andando mais rápido que os carros.
Entre os ônibus e cruzando semáforos vermelhos.
Expontânea como a primavera.
Ela precisa de ação e surpresa.
Ela anseia pelo desconhecido, pelo improvável, pelo profano.
Impulsiva de forma quase imprudente.
Observada por pedestres admirados.
Sem capacete, sem medo, sem desculpas.
Quebrando todos os pratos pelo caminho.
Sem tempo para arrependimentos.
Atropela o passado e o futuro.
Totalmente imersa no presente.
A rodar mais rápido do que nunca.
Ele é um Ciclista Lento. Ele curte o passeio.
Sua bici não é estilosa. É confortável.
Seu caminho é calmo e previsível.
Usa capacete, fones de ouvido e ouve audio-livros.
Em direção ao para o Prospect Park em uma manhã de sábado.
Ele costuma parar no caminho para tomar um café.
Para consultar o mapa, tirar uma foto.
Refletido o passado e planejando o futuro.
Com cuidado, atento ao trânsito, de uma forma quase tediosa.
E um tanto mais lento do que um dia costumava ser.
Mas ele não é o tipo de ciclista que serve.
Existem ciclistas mais interessantes por aí.
Com bicicletas imponentes e agressivas.
Cheios de símbolos de rebeldia.
Sempre prontos para partir, sem destino.
Por rotas perigosas e trilhas secretas.
Ciclistas pelo simples prazer de pedalar.
Em uma busca veloz de liberdade.
Oferecendo um lugar em seu grupo.
Onde tudo parece ser mais atraente,
Aos olhos da Ciclista Urbana.
Ela aprendeu a pedalar há alguns anos atrás.
Nos ventos calmos do Fairmount Park.
Com uma bicicleta alugada e comum.
Com seu capacete vermelho desajeitado.
Com frustração no início.
Mas alegre a cada pequena vitória.
As árvores altas, o rio calmo, a grama e a ciclovia.
Tudo era novo e fascinate naquela época.
Ela costumava parar para tomar um café.
Para tirar uma foto, para ajustar o banco.
Pois ela tinha um ambiente seguro ao seu dispor.
Para tentar, falhar, aprender.
Para sentir-se envergonhada às vezes.
Mas sem nenhum medo de mostrar-se vulnerável.
O Ciclista Lento estava lá nessa época.
O melhor parceiro de pedalada durante os dias de Fairmount.
Aquele que conhecia o caminho e que carregava água gelada.
Aquele que proporcionava segurança e incentivo.
Aquele que era paciente e orgulhoso.
Aquele que construía o espaço confortável para o aprendizado dela.
Aquele que seguia atrás para observá-la com zelo.
E tocava a campainha da bicicleta, só para ouvi-la tocar de volta.
Ele tem um profundo respeito à Ciclista de Fairmount.
À sua coragem, persistência e dedicação.
Ele conhece, de perto, a etapa mais importante dessa jornada.
Aprender a mover-se no mundo, tão longe de casa, é um desafio gigante.
Aceitar-se vulnerável para os primeiros passos é ainda mais desafiador.
A Ciclista Urbana não seria nada sem a Ciclista de Fairmount.
Pedalar rápido através do caos da cidade é puro exibicionismo,
Comparado aos obstáculos superados ao redor do Fairmount Park.
O Ciclista Lento permanece em movimento.
Sozinho, com a mesma bicicleta velha e suficiente.
Quase sempre a caminho do Prospect Park e de volta.
Com algumas correções de rota aqui e ali.
Entre angústia e tranquilidade, ele guarda com carinho
A memória as vitórias da Ciclista de Fairmount.
Enquanto vai perdendo de vista a Ciclista Urbana
Que desaparece rapidamente na linha do horizonte.